A obra de William Agel de Mello enquadra-se nos seguintes gêneros: ficção, tradução, lexicografia e ensaio.
No campo da ficção, sua contribuição é inestimável. Introduziu uma temática inteiramente nova na literatura brasileira. Sirvam de exemplo os seguintes contos: O vendedor de tapetes, Omar; O espírito do vinho; As marionetas encantadas; Gitano; O coveiro de Notre Dame; Rômulo e Rêmulo (estória de salineiros e lenhadores); etc.
Fez do mito greco-latino um dos pontos centrais de sua narrativa, na qual mitologia e realidade se fundem, numa perfeita simbiose. Na maioria das vezes, a mesma personagem desempenha simultaneamente dois papéis: o próprio papel, na vida real, e o papel que lhe cabe na mitologia. Tudo muito naturalmente. Um dos exemplos mais expressivos é a guerra de Tróia em pleno sertão goiano, um dos pontos altos do romance Epopéia dos Sertões. É a recriação do mito, ou melhor, a arte de recriar o mito.
No que tange à forma, há uma preocupação constante com a língua. Em quase todas as páginas desenvolve-se uma intensa pesquisa lingüística. Para o autor, as palavras têm vida, cor, musicalidade, valor, peso, medida. Se cada palavra tem sua função na frase, é preciso encontrar a palavra que sirva melhor aos seus desígnios. A tal ponto que, conforme se expressou o crítico Medeiros e Albuquerque, a prosa de William Agel de Mello, em certos trechos, provoca a vontade irresistível de declamá-la. Além disso, talvez nenhum outro autor brasileiro tenha usado, com tanta profusão, a palavra em seu sentido etimológico. O conto Baalbek, por exemplo, que narra a história de um mascate sírio no sertão, está impregnado de palavras de origem árabe.
Não menos importante é a contribuição de William Agel de Mello no âmbito da tradução. Traduziu – seguindo os parâmetros da tradução a mais fiel possível – os grandes poetas do Ocidente, inclusive a obra poética completa de Federico García Lorca.
No campo da lexicografia marcou a sua presença de forma indelével e espetacular. Escreveu nada menos que 22 dicionários. Em certo sentido, a maior obra de lexicografia do mundo. Escreveu dicionários bilíngües de todas as línguas neolatinas – uma obra pio-neira na lexicografia românica. O português é a única língua da família neolatina que conta com dicionários de todas as línguas congêneres. Coube-lhe a primazia de escrever o primeiro dicionário catalão/português, e ainda hoje, alguns de seus dicionários consti-tuem os únicos dicionários bilíngües existentes no campo da lexicografia em nível mundial: sardo/português/sardo, galego/português/galego, reto-românico/português/reto-românico, provençal/portu-guês/provençal, além do monumental dicionário geral das línguas românicas.
Quanto aos ensaios, escreveu três sobre política internacional e um no campo da lingüística. Tornou-se um dos maiores africanólogos brasileiros com os seguintes ensaios: UJAMAA, O Socialismo Africano: O Modelo da Tanzânia, O Processo de Independência da Namíbia e O Processo de Dissolução do Apartheid e as Conseqüentes Transformações na África Austral. As Posições Estratégicas Brasileiras. A sua tese sobre lingüística – O Idioma Panlatino e outros Ensaios Lingüísticos – é realmente sui generis. O latim deu origem a dez línguas neolatinas, e as línguas neolatinas, em seu processo evolutivo normal, dão origem à língua síntese – o panlatino. A idéia básica é formar uma superlíngua para cada família de línguas. Ou seja: o pangermânico, o pan-eslavo, o panlatino, etc. Uma nova linguagem universal, ou uma reconstrução da Torre de Babel. Se sua tese tiver validade, poderá até mesmo ser indicado para o Prêmio Nobel, caso contribua efetivamente para uma maior comunicação entre os homens.